Atukana

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12 de fevereiro de 2010

Embalagens a mais!

Na passada Sexta-feira, tive que levar o meu carro à oficina para trocar os pneus. De regresso para a loja que estou a gerir, deu-me um ataque de fome… Não podendo esquecer as minha tarefas profissionais, sabia que tinha passar por um supermercado ou uma papelaria para ver (e comprar) uma pasta especial para a loja. Pensei que o melhor seria ir ao supermercado e aproveitava para fazer as duas coisas, ou como diria o Jael, “alimentava dois coelhos com uma queijada só” (versão vegetariana de “matar dois coelhos com uma cajadada só”).

Ao sair do supermercado, com o meu pacote de bolachas na mão, prestes a abri-lo e a apreciar o primeiro biscoito, arrependi-me em ter comprado um pacote de bolachas… Sim, eu estava cheia de fome, mas o que era mais forte: a fome ou a minha consciência ecológica? De facto, o pacote de bolachas, estava embalado com a embalagem externa de plástico, mais um suporte de plástico onde estavam colocados as bolachas. Aí, surgiram-me uma série de perguntas e de dúvidas, fazendo-me sentir mal por aquela compra motivada pelo meu estômago.
Será que não me deveria ter contentado com algo que eu pudesse encontrar ao lado da loja ou um pouco mais longe (apesar do tempo escasso que me restava naquela tarde para fazer tudo o que deveria ser feito)?
Será que a minha fome era assim tanta, para não aguentar mais umas horas?
Será que faz sentido eu continuar a comprar alimentos embalados e super embalados? (Obviamente que não…)
Será que não estou a ter um discurso ecológico mas a contraria-lo com a minha prática?
Mas será que ao comprar biscoitos noutro sítio, vou evitar o uso de embalagens?
A resposta a esta última pergunta é não, a não ser que eu leve a minha própria caixa (ou saco de pano) onde são colocados os biscoitos… Afinal, somos nós, ou sou eu que tenho que criar os meus próprios métodos e condições para realmente não contribuir no uso de mais embalagens.

Mas esta questão das embalagens faz-me uma confusão tremenda… Será que as pessoas não vêem a quantidade de embalagens que são deitadas fora através do nosso consumo? Obviamente que as embalagens não são algo recente e devem ser associadas às trocas, intercâmbios e deslocações dos homens, datando assim da pré-história. Como a própria origem da palavra o indica, a embalagem é um recipiente ou um embrulho que armazena produtos temporariamente e serve para agrupar unidades de um produto, com vista à sua manipulação, transporte ou armazenamento; proteger o conteúdo; ou também, informar sobre as condições de manipulação, exibir os requisitos legais como composição, ingredientes, fazer a promoção do produto. E é engraçado, na fase em que consumidor compra o produto não corresponde ao momento em que o produto tem mais embalagens à volta dele. É no momento do transporte, que os produtos têm três tipos de embalagens (a embalagem primária ou de venda, correspondendo ao envoltório ou recipiente que se encontra em contacto directo com os produtos; a embalagem secundária ou agrupada, destinada a conter a embalagem primária ou as embalagens primárias; a embalagem terciária ou de transporte, utilizada para o transporte, protegendo e facilitando a armazenagem dos produtos).

1 de fevereiro de 2010

Porque Atukana ?

Bom dia e bem vindo a Atukana !

Este blog pretende ser um meio onde coloco as minhas reflexões, as minhas descobertas e o meu caminho percorrido em termos de pensamento e de prática ecológicos, de respeito pelo Outro e pela Natureza, de contribuição para o desenvolvimento local.

A minha formação não é científica, mas a cada passo dado tenho me aproximado de temas ambientais e de desenvolvimento local. Durante muito tempo tive uma paixão especial pela Amazónia, que me levou a desenvolver trabalhos durante o curso sobre o tema. No blog, desejo fazer reflexões sobre temas da actualidade ou sobre coisas que me acontecem, procurando sempre fazer uma pesquisa sobre isso antes de publicar as mensagens e colocando sempre que possível os links das fontes. As imagens publicadas são a maior parte da minha autoria, ou por vezes do Jael.

Mas Atukana porque alguns perguntarão?! Após algum tempo de ter descoberto um CD fantástico (que o Jael trouxe do Brasil) cuja autoria era dos Uakti, decidi pesquisar sobre esse nome. Uakti, para além de ser o nome de uma banda de música instrumental – que utiliza instrumentos musicais não convencionais construídos pelos elementos do grupo, é o nome de uma figura mitológica dos índios Tukano. A lenda conta que Uakti vivia na margem do Rio Negro e tinha um corpo repleto de furos que ao serem atravessados pelo vento emitiam sons que encantavam as mulheres da tribo. Os homens perseguiram Uakti e mataram-no. Diz-se que no local, onde seus restos foram enterrados, nasceram palmeiras que os índios usaram para fazer flautas de som encantador como os produzidos pelo corpo de Uakti. Através da banda Uakti conheci os povos indígenas Tukano cujas línguas pertencem à família linguística tukano. Os povos Tukano dividem-se em dois ramos linguísticos: oriental (que habitam desde Colômbia até o Brasil) e o ocidental (que habitam o Peru, a Bolívia e o Equador). O que eu achei particularmente interessante, é que culturalmente o casamento é sempre realizado com uma mulher de outro povo, e, portanto, de língua diferente, num sistema de casamento baseado em normas de exogamia linguística. Devido a isto, os grupos Tucano estão numa situação de multilinguismo: cada indivíduo fala no mínimo três línguas, e é comum que fale cinco ou mais. Senti-me particularmente próxima deles por eu ser bilingue, sabendo falar mais duas língua e por eu ter casado com alguém de outra nação. Sinto-me um pouco Tukana!

Não hesitem em deixar comentários, Atukana não é só o meu blog, é um lugar de troca, intercâmbio e de partilha. Respondo a todos os comentários. As reacções não são moderadas, mas reservo-me o direito de excluir comentários ofensivos. Aprecio o facto de terem opiniões diferentes das minhas, especialmente quando bem argumentadas!

Boa Leitura e até breve.

Irene N.

28 de janeiro de 2010

Atràs de Atukana, estou eu, Irene!



Tenho 23 anos, sou casada com a minha alma gémea, Jael, que me acompanha e me aconselha a cada passo importante.

Nasci em Besançon (França), onde cresci até aos 18 anos. Estudei Relações Internacionais e Ciência Política em Coimbra (Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra) e em Bordéus (Institut d’Etudes Politiques de Bordeaux) num curso integrado, o que me permitiu viver nestas duas cidades cosmopolitas!

Agora, vivo na Figueira da Foz: o meu marido e eu estamos a construir um apartamento no sótão da família dele. Profissionalmente, estou a dedicar-me à gerência de uma loja no Fundão (os meus pais são de uma aldeia perto). Encontro-me entre a Beira Litoral e a Beira Baixa, obrigando-me a dividir o meu tempo entre estas duas zonas geográficas. Estou também a desenvolver projectos cuja finalidade é o desenvolvimento local.

Actualmente o nosso tempo é escasso devido aos nossos trabalhos e à preparação do nosso lar, porém tentamos fazer o que gostamos: fotografia (ambos temos uma máquina fotográfica Canon S3IS), cinema, música, natureza (gostamos muito de viajar, passear), gastronomia (gostamos de fazer ou criar novas receitas, provar petiscos e sobremesas). Sendo o meu esposo vegetariano desde que nasceu e, concordando eu com esta filosofia, já comendo pouca carne e peixe antes de o conhecer, em casa, temos uma alimentação ovo-lacto-vegetariana. Também damos prioridade a alimentos da época e biológicos, quando são da nossa horta, melhor ainda! Preocupamo-nos em ter um modo de vida ecológico: evitamos os desperdícios e os produtos químicos, fazemos reciclagem e inventamos segundas utilizações de produtos. Adoro ler e me manter actualizada desde sobre a Política até à Cultura.

A nossa filosofia de vida consiste na simplicidade, na partilha, procurando evitar contrariedades fúteis. Nem sempre é fácil, mas pelo menos vou honrando os meus princípios de respeito pela natureza e pelo outro, estando ao mesmo tempo em acordo com a modernidade.

Irene