Na passada Sexta-feira, tive que levar o meu carro à oficina para trocar os pneus. De regresso para a loja que estou a gerir, deu-me um ataque de fome… Não podendo esquecer as minha tarefas profissionais, sabia que tinha passar por um supermercado ou uma papelaria para ver (e comprar) uma pasta especial para a loja. Pensei que o melhor seria ir ao supermercado e aproveitava para fazer as duas coisas, ou como diria o Jael, “alimentava dois coelhos com uma queijada só” (versão vegetariana de “matar dois coelhos com uma cajadada só”).
Ao sair do supermercado, com o meu pacote de bolachas na mão, prestes a abri-lo e a apreciar o primeiro biscoito, arrependi-me em ter comprado um pacote de bolachas… Sim, eu estava cheia de fome, mas o que era mais forte: a fome ou a minha consciência ecológica? De facto, o pacote de bolachas, estava embalado com a embalagem externa de plástico, mais um suporte de plástico onde estavam colocados as bolachas. Aí, surgiram-me uma série de perguntas e de dúvidas, fazendo-me sentir mal por aquela compra motivada pelo meu estômago.
Será que não me deveria ter contentado com algo que eu pudesse encontrar ao lado da loja ou um pouco mais longe (apesar do tempo escasso que me restava naquela tarde para fazer tudo o que deveria ser feito)?
Será que a minha fome era assim tanta, para não aguentar mais umas horas?
Será que faz sentido eu continuar a comprar alimentos embalados e super embalados? (Obviamente que não…)
Será que não estou a ter um discurso ecológico mas a contraria-lo com a minha prática?
Mas será que ao comprar biscoitos noutro sítio, vou evitar o uso de embalagens?
A resposta a esta última pergunta é não, a não ser que eu leve a minha própria caixa (ou saco de pano) onde são colocados os biscoitos… Afinal, somos nós, ou sou eu que tenho que criar os meus próprios métodos e condições para realmente não contribuir no uso de mais embalagens.
Mas esta questão das embalagens faz-me uma confusão tremenda… Será que as pessoas não vêem a quantidade de embalagens que são deitadas fora através do nosso consumo? Obviamente que as embalagens não são algo recente e devem ser associadas às trocas, intercâmbios e deslocações dos homens, datando assim da pré-história. Como a própria origem da palavra o indica, a embalagem é um recipiente ou um embrulho que armazena produtos temporariamente e serve para agrupar unidades de um produto, com vista à sua manipulação, transporte ou armazenamento; proteger o conteúdo; ou também, informar sobre as condições de manipulação, exibir os requisitos legais como composição, ingredientes, fazer a promoção do produto. E é engraçado, na fase em que consumidor compra o produto não corresponde ao momento em que o produto tem mais embalagens à volta dele. É no momento do transporte, que os produtos têm três tipos de embalagens (a embalagem primária ou de venda, correspondendo ao envoltório ou recipiente que se encontra em contacto directo com os produtos; a embalagem secundária ou agrupada, destinada a conter a embalagem primária ou as embalagens primárias; a embalagem terciária ou de transporte, utilizada para o transporte, protegendo e facilitando a armazenagem dos produtos).
